terça-feira, 14 de outubro de 2014
terça-feira, 18 de setembro de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Desobediência civil
As operações stop multiplicam-se. Não há dia em que não veja mais que uma. Autenticamente caça à multa. Não tem como objectivo disciplinar nem prevenir o que quer que seja. É só mesmo para meter dinheiro nos cofres do estado (ou das próprias polícias, para pagarem custos operacionais). Mas parece doentio. Nos sítios mais incríveis. A coisa está a chegar a tal ponto que ontem me veio à cabeça as palavras 'desobediência civil'. Quanto mais tempo até a malta começar a ficar com os nervos em franja e começar a desobedecer, a não ver autoridade nas polícias? A preparar manifestações violentas como temos visto na Grécia? Ontem só me apetecia dar a volta, estacionar o meu carro colado ao carro da PSP descaracterizado com o radar. Que me podiam eles fazer? Não deve ser proibido estacionar ali. Eles estavam lá. Ou será? A eles ninguém multa!
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McCap
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
Triste 25 de Abril
Foram 40 anos de ditadura. E não era a ditadurazinha com que há distância do tempo se procura com alguma cosmética branquear a ausência de liberdade, os homicídios, as torturas e perseguições, as eleições fraudulentas, a diáspora forçada e a riqueza opulenta dos amigos do regime. Era uma Ditadura de "D" grande e maiúsculo por muito que a sua retórica assentasse na defesa da pequenez de espírito lusitana e na dignidade da pobreza. Um discurso que, aliás, o nosso presidente da república insiste em replicar e que se enquadra bem na linha da "suspensão temporária da democracia" já defendida pela sua Manuela Ferreira Leite. Mas mais não poderíamos esperar de um homem fraco de fibra política, sem ideais que não sejam a sua própria sobrevivência e que a 21 de Dezembro de 1967 se declarava na sua pidesca inscrição como "adepto" confesso do regime enquanto denunciava o próprio sogro pela "vivência" em segundas núpcias enquanto garantia que, com essa gentalha, ele não convivia. Dois anos antes, Humberto Delgado era assassinado por Rosa Casaco, personagem que viria a morrer, tranquilamente, na sua casa de Cascais em 2006. Delgado desafiara Salazar e o seu regime. E estava pronto para o derrubar. É a "fibra" que distingue os homens. E aquele que hoje preside às cerimónias que evocam o derrubar da ditadura e a instalação da democracia nunca a teve e é quase insultuoso à memória histórica de todos os que deram a sua vida por uma democracia em Portugal que tão gelatinosa figura seja o "senhor de cerimónias" de tão nobre data.
Foram "quase" 40 anos de democracia. Eis-nos com Passos Coelho. Figura de carreira das juventudes partidárias e aclamado primeiro nos escombros do seu quase-gémeo. Ambos das jotas, licenciados aos trintas enquanto ocupam cargos públicos e ambos mais preocupados com a imagem que com o conteúdo. Assustador. De corrente neo-liberal, Passos ainda ensaiou o discurso de "salvação nacional", de "emergência" do estado para a seu coberto iniciar o desmentir das suas promessas eleitorais. Mas, em boa verdade, mentiu. E, de mentira em mentira, vai delapidando o estado social. Aquele que foi a única vitória com tradução concreta para o povo português do 25 de Abril.
Porque a liberdade é muito bonita como conceito esotérico e subjectivo. Mas não é livre quem tem fome, não é livre quem não tem dinheiro para os seus medicamentos, não é livre quem não tem como pagar transportes de trás-os-montes para uma consulta na "cidade".
E é por estes não-livres da democracia e em seu nome, em nome de todos aqueles que como o português de Viana do Castelo que ontem morreu, sozinho na sua diáspora, longe da mulher com uma neoplasia da mama em tratamentos constantes no IPO Porto e dos seus filhos, numa emigração forçada por não conseguir suportar as constantes deslocações ao Porto e a renda e o resto das contas, que os que fizeram abril viraram as costas ao menino-bem de Vila Real e ao seu séquito de jovens já reformados.
É que assim não há liberdade.
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KemoRessabe
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quarta-feira, 28 de março de 2012
A crise e as operações STOP
Há muito que não 'postava'. Bom sinal. Ter pouco com que ressabiar em tempo de crise é bom. Ou resultado do acidente e do internamento de longa duração. Aprendi porque é que doente e paciente são sinónimos. Mas há uma coisa que me está a corroer por dentro. E um tema já exposto tempos atrás, numa outra perspectiva.
Há uns três anos atrás começaram a pulular operações stop pela invicta, às sexta e sábado à noite no intuito de fiscalizar a alcoolometria dos condutores. Embora não concorde com a medida (acho sinceramente que só deviam ser fiscalizados os que demonstrem condução perigosa ou que cometam alguma (outra) contra-ordenação), pelo menos esta estava embuida de algum espírito preventivo e com efeito, comprovado ou não, na mortalidade e morbilidade.
Mas o que se observa nas últimas semanas é uma verdadeira caça à multa. Carros descaracterizados com detector de velocidade em zonas onde os limites de velocidade não fazem sentido (e a opinião não é só minha, que a minha vale o que vale). Estamos a falar em locais onde TODA a gente anda acima dos 50km/h e onde não há registo de acidentes! Estão lá só porque sabem que vão apanhar muitos condutores incautos! Caça à multa. Há que pagar a gasolina dos carros patrulha de alguma maneira!
É de tal forma escandaloso que há 3 semanas atrás houve um simpático condutor que, ao ver tamanha sacanagem, teve o cuidado e a paciência de dar a volta, colocar-se uns metros (e uma curva) atrás do radar, estacionar e fazer sinais com as mãos a todos os que circulavam para abrandarem!
Se há coisa que os momentos difíceis trazem é maior espírito de solidariedade! Ainda há esperança.
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McCap
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Temos o que merecemos!
Ontem, mais uma vez, tivemos a possibilidade de nos livrarmos de mais um dos muitos políticos responsáveis pela crise actual. Há décadas que vivemos acima das nossas possibilidades, à base de empréstimos, negócios fajutos e dívidas escondidas.
Foi o nosso 'modus operandi' durante muito tempo. Continua a sê-lo em muitos sítios. 'Não está orçamentado? Não faz mal, alguém pagará no fim. O orçamento é pequeno? Adjudica-se em menor valor e depois derrapa-se. Ficas com a obra se uma parte do pagamento vier para o partido!'
Sempre que as derrapagens, os negócios obscuros e as falcatruas vêm a público o que é que acontece? Se fossemos um país decente (estilo nórdico), os autarcas/políticos/administradores públicos pediriam logo demissão do seu cargo ou suspensão até averiguação da situação. Em Portugal, vão para tribunal e não lhes acontece nada devido ao princípio da inocência até prova em contrário. Pois... Mas quando se dá como provados os crimes/gestão danosa, metem recurso para as instâncias superiores. E nada lhes acontece até acabarem os recursos dos recursos. E se algum juiz até é irmão maçónico até mantém o processo pendente até ao último dia legal de resposta...
Era fácil legislar de modo a que um autarca/político/administrador público ficasse suspenso de funções e/ou não pudesse candidatar-se de novo a partir do momento em que houvesse fortes indícios de corrupção. Inocência até prova em contrário e fuga à prisão enquanto se pode até se admite, mas deixar continuar a exercer o poder que levou a essa corrupção/gestão danosa??? Fácil de legislar... Mas quem é que faz essa legislação? Pois... São os políticos.
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domingo, 9 de outubro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Carta aos Amigos da Madeira
Caros amigos,
É com profunda mágoa que escuto as novidades vindas desses vossos paradisíacos recantos atlânticos que, dos piornais ao porto santo, perfumam e temperam os ventos frios das intempéries marítimas ao sabor de frescas "corais". Parece que o estilo hugo chaveriano do vosso "querido líder", cuja alegria sempre nos contagiou e cuja capacidade de fazer obra sem orçamento nos parecia própria do divino afinal mais não era que fruto colhido nos empréstimos das donas brancas da banca do lusitano recanto. De facto, nos ares rarefeitos das alturas dos picos insulares estamos sempre mais perto do Olimpo e da desgraçada grécia mas ainda assim esperamos fervorosamente que nos votos que ireis professar nessa vossa temerosa democracia e nas suas eleições, sejais capazes de vingar os 5 MIL MILHÕES DE EUROS de dívida extra com que os vossos eleitos acabaram de brindar TODOS os contribuintes deste nosso re-canto de triste fado europeu. De outra forma, enrascados que estamos, teremos que vos e-bayzar no valor da vossa dívida.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Os verdes
Estou a ver as notícias, as passagens pela presidência da república, antes da nomeação do novo governo. Há muitas coisas que não entendo. Mas uma veio à tona hoje. Porque raio tem que o presidente aturar os gajos d'Os Verdes?! Quem se candidata é a CDU. A CDU na prática já é um partido. Porque raio tem de aturar o presidente (e já agora a assembleia da república quando dá palavra a cada um dos partidos) estes ambientalistas que teriam menos votos que qualquer dos pequenos partidos que temos (o MRPP, o MEP, o PDA, etc). Imaginem que o bloco de esquerda se lembrava do mesmo? Obrigar o presidente e/ou a assembleia de aturar representantes de cada uma das pequeníssimas forças que o compõem. Ou que o PSD se lembraria de obrigar a representação dos Cavaquistas, dos Barrosistas, dos Aparelhistas, etc...
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sábado, 12 de março de 2011
E agora?
Milhares desfilaram pelo país protestando, genericamente, contra o estado de "coisas". Parece-me evidente que o PM ocupa, de momento, um dos empregos mais precários e que estará a "prazo" talvez ainda mais curto que o se poderia pensar. Confesso que ao fim da tarde passei na "nossa" praça da liberdade para "in loco" testemunhar o que me diziam ser uma grande manifestação. E era. Pressente-se que o PM sairá de cena mais queimado que uma chaminé de refinaria mas o tom patriarcal, bucólico e paternalista do líder da oposição, assusta. É um politico de carreira, feito nas jotas e que não espelha esta sociedade civil que emerge nem parece encerrar qualquer particular simpatia para agregar este descontentamento que é transversal a várias gerações. Por outro lado, a desconfiança perante as forças políticas "tradicionais" atingiu o seu expoente máximo. Durante a tarde, vislumbrei testemunhos marcantes de "gente" que fez o 25 de Abril e que, passados estes anos, voltara à rua. E isto, mais que tudo o resto, acrescenta um valor ideológico às manifestações. Resta saber o que fazer agora para não desfraldar as expectativas de tanta gente que se mexeu para mudar o "seu" mundo. Este sentimento, de necessidade de mudança, não se encerra nas fronteiras lusas. Em espanha, um protesto semelhante está a ser organizado para maio. Talvez seja hora de "pensar" num verdadeiro modelo político à escala europeia. Para já, neste modelo político que se baseia nos partidos, ou se fundam novos ou se entra para os que já existem. Agregar vontades em movimentos sociais que depois não se fazem representar na hora das decisões pode custar o desalento de quem se mobilizou para se fazer ouvir. Fica a questão. E agora?
Na foto - manif em berlim :)
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
A língua portuguesa é muito traiçoeira
Com o descrédito que este Governo tem, as instituições públicas têm de ter acrescidos cuidados com o que escrevem, dizem ou publicam.
INE quer recrutar 30.000 candidatos para o Censos 2011. Ouvi a notícia na TSF e confirmei em imprensa escrita. 'O trabalho será pago em função dos resultados'. A leitura de qualquer paranoico no meio desta crise é que os desgraçados que irão andar a bater à porta das pessoas serão pagos consante as estatísticas que conseguirem. Se conseguirem uma população mais saudável, terão melhor rendimento. Se as estatísticas mostrarem muita pobreza, não recebem nada.
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sábado, 13 de novembro de 2010
Lusitania 2011
Diz que a crise é económica. Pois bem, eu acho que é pior do que isso. É uma crise de valores, sem que nisto me ache dotado de uma moral superior. A verdade é que só fomos abastados com as riquezas roubadas em nome dos descobrimentos. Tudo o resto é a história de um país em que alguns vivem muito bem e os outros sobrevivem. A nossa história recente, quantas vezes ocultada dos livros da escola, é de um país comezinho e acomodado a uma ditadura light porque, em boa verdade, somos assim. Acomodamo-nos ao que nos impõe, temerosos que somos do jugo do poder. Nasci na "lua-de-mel" pós 25 de Abril e cresci empurrado nos subsídios europeus que, dizem, enchia os orçamentos cavaquistas e o país dos chico-espertos com uma sensação de riqueza que nunca existiu. Abatemos barcos de pesca, abandonamos os campos às intempéries, urbanizamo-nos deprimentemente, criamos fileiras clientelistas nos partidos que nos governam e demos créditos ao desbarato. Mas nunca, como agora, a desesperança nos que nos governam foi tão grande. E nos que se nos propõe governar. Habituados a um certo estilo totalitário, os nosso políticos insistem no não sacrifício pessoal e na perpetuação do estado de coisas, talvez por necessidade pessoal ou por comodismo pessoal. Os que nos governam, buscam nas venezuelas e chinas, bastiões da democraticidade, soluções que não encontram dentro de portas. Um país de memória curta, o nosso. Ao fazê-lo, a "esquerda" (?) sacrifica o argumento usado até à exaustão do cravo na lapela, da liberdade para a qual contribuíram, das conquistas do 25 de Abril. Perde-se a moral por um punhado de euros em negociatas com regimes que envergonhariam aqueles que deram o seu melhor por uma democracia lusa. A verdade é que nos prometeram um país moderno, desenvolvido, uma nova vaga de desenvolvimento, uma nova ordem de valores que valeu maiorias governativas mas que não tinha substância alguma. Os sinais de clientelismo, cunhas, desgoverno e mau governo, intromissão nos órgãos de comunicação social, políticas de show off foram mais que muitos. Que bom seria termos uma oposição credível. Desenganem-se. Do outro lado não se prevê nada de muito melhor. Depois de uma enorme travessia no deserto e de estar partido em facções autofágicas, o maior partido da oposição apresenta-se num estilo socrático à americana, por vezes mais parecendo a outra face de uma mesma moeda. Poderemos ser (bem) governados por quem cresceu nos aparelhos partidários? Não me parece. Está bom de ver que quem faz vida nas juventudes e carreira nos partidos se desliga do país real e passa a depender das vitórias e a viver em sua função. Esta demasiada dependência sacrifica o bem comum. Sobra-nos a sociedade civil e meia duzia de políticos com provas dadas. Os primeiros, ou já emigraram ou não querem perder o seu tempo em joguetes para os quais não fizeram escola. Dos segundos, lembro-me talvez de rio e da sua primeira pouco provável eleição e da coragem desafiadora perante o "poder" musculado da bola que se afirmava como dono das portas da cidade. Poucos mais sobram até porque os carreiristas tendem a perpetuar-se. O próprio PR, ao recandidatar-se, perde o papel moralizador que se lhe exigia, pois todas as palavras serão lidas em função das eleições. À sua esquerda, há uma espécie de eleições dentro das eleições, multiplicando-se os candidatos, como se Alegre e o seu salto de liberdade para fora dos supostos partidários fosse gesto imperdoável. Perde-se a autenticidade eleitoral, o respeito pelo eleitor por querelas que parecem ser outras. Assim vamos nós, rumando a 2011, onde a única coisa que se prevê de bom é o FCP ser campeão!
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domingo, 26 de setembro de 2010
O desnorte
A colega Ana Jorge, que além de pediatra é ministra da saúde, entrou na longa colecção de ministros que diz dislates em questões técnicas que devia dominar. Em entrevista à Sábado li a frase de sua autoria 'Os meios complementares de diagnóstico (MCD) de rotina têm de acabar'.
É verdade que o SNS gasta (ou utiliza) muito dinheiro em MCDs. É verdade que muitas vezes estes são desnecessários. É verdade que há muito espaço para ganhar eficiência nesse campo. Mas...
1. Ouvir de uma médica que os MCDs de rotina têm de acabar é impensável. Há muitos MCDs de rotina que têm indicação clínica, que comprovadamente têm eficácia. Vamos ter de deixar de fazer papanicolaus às nossas doentes? Mamografias de rastreio? A Dr Ana Jorge vai desaconselhar o 'teste do pezinho' aos seus neonatais doentes?
2. Sim, há muitos MCDs que eram escusados. Mas quem está a levar a medicina a basear-se neles é o ministério, com os sucessivos ministros e governos numa lógica de produtividade com base em números de consulta e afins. Quando os médicos de família têm de ver uma agenda com imposições superiores de quem não percebe do ofício, é muito mais fácil pedir um RX ou um urograma em vez de investir um bocadinho mais de tempo a fazer um exame físico mais pormenorizado e 'perde' um bocadinho de tempo a explicar a situação (a dar confiança ao doente do porquê de não se pedir exames nem prescrever uma carrada de medicamentos). Mas esse tempo de qualidade não é transponível em indicadores, e é isso que move o mundo hoje em dia.
Para um médico num serviço de urgência caótico (e estão caóticos pela destruturação das equipas, pela contratação de pessoal avulso) que veja um doente com um problema neurológico, é muito mais fácil pedir um TAC e pedir à máquina que veja o que tem o doente que fazer um pormenorizado exame neurológico.
3. Com a empresarialização dos hospitais, nomeadamente dos universitários, o exemplo dado às camadas jovens (alunos e recém licenciados em medicina) é de uma medicina baseada nos MCDs. Pior que boa parte da classe médica utilizar os MCDs como base da sua medicina é não saber fazer outra coisa. Agora, ainda há ponto de retorno.
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McCap
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Papa
Ainda bem que Portugal é um estado laico, democrático e com concorrência televisiva. Nos 4 canais em canal aberto, 3 transmitem o papa. Com a mesma imagem. Isto é que é concorrência...
Não ser poderá fazer uma queixa para a ERC? Ou para a autoridade da concorrência por cartelização? Será que cada um dos canais se recusava a transmitir se não garantisse que os outros também o fariam?
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McCap
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
moledo
O vento trouxe-me de volta à areia que me arranhava a alma. O mar, sobressaltado, empurrava-me para o abismo dos rochedos recortados pelo chicotear das ondas. O moinho debruçado na duna recortava a neblina como um velho sabedor que observa com um desinteresse aparente os enredos que o destino lhe descobre da manta de areia. Ao longe, adivinhava a Ínsua. Serena e soberana do rio e do mar, da montanha e da praia, das gentes, dos barcos e da memória. Adivinho as formas das gentes de veraneio, os vaidosos e as sereias, os homens das cartolas e as mulheres de alma carpida transvestidas a ouros e opulências. E vejo o deserto no mar. É inverno em Moledo. O céu coberto de nuvens carregadas que abraçam a paisagem do alto do monte de santa tecla até ao mar, parecem inofensivas e doces. As vagas rebentam num suave rufar que me entorpece os sentidos. Perde-se de vista o mar e perco-me do tempo porque aqui não existem essas tiranias dos tempos modernos. Beijo-te. Beijo-te porque Moledo é isso. Moledo é um beijo parado no tempo, quente e fugaz no verão e quente, eterno e terno no inverno. É um beijo sem pressa porque não tem hora marcada nem para onde ír, preso que está entre a montanha e o mar. É um beijo que dura o tempo de uma maré. É um beijo que volta. Sempre. É o mesmo beijo que te guardo quando voltares na volta da maré agora que partiste para os quotidianos que te amarram e sufocam. Aqui, eu vou-te sempre beijar. Um beijo livre e desinteressado. Moledo é isto.
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KemoRessabe
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Gripe A
Tem sido questionado, principalmente com origem em Espanha, sobre a honestidade do pânico lançado sobre esta gripe A.
Se houve uma estratégia pensada e concertada pela indústria farmacêutica sobre este problema, não sei, mas se houve, quero-lhes agradecer.
Sem dúvida que este pânico é infundado. A gripe do ponto de vista clínico não é grave. É uma gripe como tantas outras que nos afectam todos os anos. O perigo desta gripe não é a nível individual, mas a nível colectivo, de sociedade. A diferença desta gripe para a gripe sazonal é que vamos ter muito mais gente com gripe (30% da população irá ter gripe durante os próximos meses, contra os 5 a 8% nas gripes sazonais) e gente mais jovem (portanto, o tecido produtivo). O medo é que este 1/3 de população fique doente mais ou menos ao mesmo tempo. O medo é que o absentismo provocado pelos trabalhadores doentes ou a cuidar de familiares paralize as empresas. Por isso é que foi feita a fase inicial de contenção (com identificação e isolamento de cada doente, com a quimioprofilaxia de todos os conviventes), não pela perigosidade da doença, mas para atrasarmos a epidemia de modo a que as empresas pudessem fazer os seus planos de contingência.
Mas a comunicação social confunde tudo, como sempre. Fala dos casos individuais, de cada um, do tamiflu como se fosse um remédio milagroso. The usual...
Mas se há vantagens a tirar desta paranoia é termos a população muito mais vulnerável a informação importante para combatermos a evolução desta pandemia. Para atrasarmos a progressão da doença, para que não fiquemos todos doentes ao mesmo tempo, bastam regras de higiene pessoal e de instalações que já deviam há muito fazer parte do nosso dia a dia. Mas que por facilitismo, ignorancia ou economicismo são esquecidas, não são valorizadas, são tidas como manias.
Se há ganhos com esta paranoia, são as escolas que vão deixar de facilitar na colocação de sabão nas casas de banho (frases como 'não ponho porque as crianças estragam' desaparecem). Limpeza das instalações do sector da saúde passam a ser feitas com mais cuidado (com o cuidado que merecem e que nunca devia ter sido descurado). As pessoas em geral passam a lavar as mãos mais frequentemente e mais eficazmente. Os pais deixam de mandar crianças com febre para a escola porque não querem/podem faltar ao seu próprio emprego.
Vamos ver quanto tempo dura este sol. Se com isso conseguirmos formar uma geração de crianças para regras de higiene, pode ser que o resultado seja sustentado no tempo. A ver vamos.
Mas para já agradeço à industria farmaceutica que conseguiu por os portugueses a discutir e aprender regras de higiéne básicas.
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